A viagem continuou e meses depois quando regressavam e atravessavam o mesmo rio, resolveram passar ali a noite. Sentados na areia, puseram-se a conversar. De repente surgiu uma desavença e uma discussão começou. Nagib, exaltado, num ímpeto de cólera, esbofeteou o amigo. Mussa tomou o bastão e escreveu na areia ao pé da grande pedra: “Viajante, neste lugar durante uma viagem, Nagib por motivo fútil injuriou gravemente o seu amigo Mussa.”
Surpreso e irritado, um dos seus ajudantes comentou: “Senhor, na primeira vez para exaltar a abnegação de Nagib, o senhor mandou gravar para sempre na pedra o feito heróico. E agora que ele acaba de ofender-vos, vos limitais a escrever na areia incerta o ato de covardia? A primeira legenda ficará para sempre, mas esta, antes do despertar do dia, já terá desaparecido com o vento…” Mussa respondeu: “É que o benefício que recebi permanecerá para sempre em mim, mas a injúria, escrevo-a na areia para que, quando depressa apagar-se, depressa também desaparecerá da minha lembrança.”
(Leonor Gomes Machado Cordeiro)

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