Para muitos o sertão é uma grande espera!
Na cancela por onde passa o boi, passa a boiada,
Passa a dor que a vida acelera e destempera
E os bandidos a procura do dono da vaca atolada.
Esperam o dia em que o sertão vai virar mar
E oram no altar da fé cega e da paciência,
Pedindo clemência antes de matar e roubar
Só não sabem lutar contra a ignorância...
Muitos ainda esperam por terra e pão
E sem educação enchem as periferias.
Nas frias noites de julho congelam o coração
E seguem na vida cheios de quinquilharias.
Sertão, manda quem tem dinheiro carimbado
E é malandro, esperto e com muitas astúcias.
Deus mesmo, quando vier, que venha armado,
Pois os lobisomens vêem vestidos de pelúcias.
As armas de Deus são a justiça e a misericórdia
Acolherá quem em vida semeou a paz e o amor
Terá rigor para os que semearam a discórdia,
Pois não acreditaram que Ele é o Redentor.
A maioria dos políticos são filhotes de coronéis,
Formados na escola superior da horrenda ditadura
E morrem de saudade do tempo do mil reis
Tem medo de reforma política na atual conjuntura.
Deus está de olho nos malfeitores da terra
Pois eles emperram a vida dos mais humildes
Suas vidas, sem virtudes, o amor desterra
Alicerçados nos abismos feitos de crueldades
Poeta Francisco Cândido

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